Museu de Arte da Bahia recebe exposição “Flores Que Curam” em Salvador

Abertura da Exposição

O Museu de Arte da Bahia (MAB), localizado em Salvador (BA), inaugurou a sua nova exposição intitulada “Flores Que Curam”, que tem como principal objetivo explorar a fé, as memórias e as tradições dos povos de terreiro. Em destaque está o Sabejé, um ritual público de cura associado ao orixá Omolu.

A mostra, que possui entrada franca, abre suas portas ao público a partir das 18 horas e estará disponível para visitação até o dia 12 de setembro. Esta exposição inclui registros da carreata denominada “Ritual Omolu: Saúde e Esperança de um Povo junto às Casas de Candomblé”, que foi criada em resposta à pandemia de Covid-19 e que continua a ser realizada com a participação de diversos terreiros.

Importância da Memória Coletiva

A exposição “Flores Que Curam” destaca a importância da memória coletiva e o papel fundamental que as tradições religiosas desempenham na construção da identidade cultural dos povos afro-brasileiros. Ao abordar essas tradições, a mostra convida os visitantes a refletirem sobre as experiências vividas e as histórias que moldaram essas comunidades ao longo do tempo.

Flores Que Curam

Além disso, a memória coletiva é uma ferramenta essencial para a preservação das práticas culturais, muitas vezes ameaçadas pela marginalização. Através da arte e da representação visual, a exposição visa ressaltar as nuances dessas tradições, criando uma atmosfera de respeito e valorização por essas práticas.

Ritual Omolu e Suas Tradições

O Sabejé, que se tornou uma prática central na exposição, é um ritual que simboliza a necessidade de cura e resiliência. Ligado ao orixá Omolu, conhecido por sua associação com a saúde e a doença, o ritual não apenas promove o bem-estar físico, mas também espiritual.

Durante a exposição, os visitantes podem observar elementos que representam a força e a diversidade das culturas de matriz africana. A representação do ritual permite que o público compreenda a profundidade das tradições, bem como a sua continuação e adaptação em tempos modernos.

O Significado do Deburu

Um dos símbolos mais importantes da exposição é o deburu, que se refere à pipoca. Este elemento é utilizado em rituais dedicados a Omolu e carrega consigo um profundo significado espiritual e simbólico. O deburu é considerado uma “flor” que Omolu oferece, servindo como um meio de extração das dores e purificação dos caminhos dos indivíduos.

O curador da exposição, Antônio Marcos de Oliveira Passos, enfatiza que “o deburu representa a estética e a filosofia da cura”. Esta afirmação ressalta o valor cultural e espiritual das tradições de matriz africana, destacando que esses saberes são, na realidade, uma forma de alta tecnologia voltada para o acolhimento e a saúde mental.

Experiência do Visitante

A experiência de visitação à exposição é enriquecedora e refletiva. Os visitantes são convidados a se envolverem de forma ativa com os elementos apresentados, refletindo sobre suas próprias experiências e conexões com a cultura de matriz africana. A disposição dos elementos da exposição foi pensada para criar um espaço que estimule a contemplação e a interação.

O ambiente do museu se transforma em um espaço de diálogo, permitindo que as vozes e as histórias dos povos de terreiro sejam ouvidas e valorizadas. Este espaço de interação é essencial para promover a compreensão e apreciação das tradições afro-brasileiras.

Fotografias e Registros na Exposição

A exposição conta com uma seleção de fotografias que compõem sua narrativa visual. Essas imagens são de propriedade de renomados fotógrafos, como Robson Maciel, Lucas Obá Izo e Cristian Dessa, que capturaram os momentos e as experiências dos rituais da carreata.

As fotografias servem como uma testemunha visual da profundidade das tradições, mostrando não apenas a estética, mas também a espiritualidade e a energia que permeiam os rituais. Através dessas imagens, o público consegue entender o impacto da saúde e da esperança na vida das comunidades, especialmente em tempos desafiadores.

Participação dos Terreiros

Um aspecto crucial da exposição é a colaboração de diversos terreiros, como o Ilê Axé Obá Afonjá Alafin Oyó, Unzó Mutalecí Raízes da Gomeia, Ilê Axé Oiá Dejí, Casa de Sultão e Ilê Axé Ogunja Tiluaê Orubaia. A participação desses grupos enriquece a exposição, trazendo uma diversidade de vozes e práticas que compõem o tecido cultural afro-brasileiro.

A colaboração entre os terreiros evidência a força da comunidade e sua capacidade de resiliência. Cada terreiro contribui com suas histórias e tradições, formando um mosaico que reflete a riqueza das culturas de matriz africana no Brasil.

Reflexão sobre Saúde Mental

A exposição não se limita a ser apenas uma mostra de arte; ela também provoca importantes reflexões acerca da saúde mental. Em um período onde a saúde mental ganhou destaque, especialmente após a pandemia, a exposição destaca como as práticas de cura e as tradições culturais podem oferecer suporte emocional e espiritual.

Os rituais e práticas apresentadas na exposição são uma forma de terapia e acolhimento para as comunidades, permitindo que os indivíduos encontrem conforto e conexão com suas raízes. Essa visão ampliada da saúde mental é fundamental para a valorização das tradições de cura, muitas vezes menosprezadas.

Impacto da Exposição na Comunidade

O impacto da exposição “Flores Que Curam” na comunidade é significativo. Ela não apenas proporciona visibilidade às tradições de matriz africana, mas também promove um espaço seguro onde as vozes da cultura afro-brasileira podem ser ouvidas e respeitadas.

Esse tipo de projeto contribui para a desestigmatização das práticas de cura e fé, promovendo o respeito e a compreensão entre diferentes culturas. A arte se torna um canal poderoso para a mudança social e a inclusão, revelando a força da diversidade e da resistência.

Eventos Relacionados e Programação

A programação da exposição inclui uma variedade de eventos que oferecem ainda mais oportunidades para a interação e o aprendizado. Estão previstos workshops, palestras e rodas de conversa que explorarão temas relacionados à saúde, arte e tradições de matriz africana.

Esses eventos são uma forma de aprofundar a experiência do público, permitindo uma melhor compreensão das questões abordadas na exposição e fortalecendo os laços comunitários. A participação ativa do público é incentivada, criando um espaço de diálogo aberto.

Conclusão

A exposição “Flores Que Curam” não é apenas uma展示 de arte; é uma celebração das tradições culturais afro-brasileiras e um convite à reflexão sobre saúde, fé e memória. Ao destacar a importância do Sabejé e do deburu, a mostra reforça a necessidade de preservar e valorizar as práticas culturais, promovendo saúde e bem-estar por meio da arte.